Essa semana estive conversando com uma cliente para quem estou fazendo consultoria de organização.
É uma consultoria associada a um projeto de marcenaria planejada e decoração de ambientes de uma arquiteta parceira.
Num determinado ponto do projeto a cliente precisava decidir onde acomodar o violão da família.
A ideia inicial, prevista no projeto da arquiteta, era instalar o violão na parede.
Com a chegada dos móveis planejados e o avanço do trabalho de triagem e seleção dos pertences, que ela está fazendo antes de definirmos onde os objetos serão armazenados, veio a questão de onde o violão ficará.
Havia alguns pontos a serem considerados.
- Acomodar o violão junto com outros instrumentos da família criando um cantinho musical fazia todo sentido. É inspirador e incentiva o uso dos instrumentos, além de contribuir para a decoração do ambiente.
- Pendurar o violão na parede permite usar um espaço ocioso e também contribui para a decoração do ambiente. Mas se as crianças tocam elas conseguiriam retirar o violão do suporte na parede, garantindo assim a autonomia delas?
A cliente precisava avaliar todas as variáveis envolvidas para decidir.
Essa foto que ilustra o post é da minha casa.
Aqui criei um cantinho musical ao lado do rack onde fica a vitrola, com o violão no suporte de chão e uma caixa com os LP’s.
Esse é um dos meus cantinhos preferidos da minha casa.
Mas depois da pandemia, que passamos nós mesmos a cuidar da limpeza da casa, eu percebi que o violão no chão me irrita.
Sabe porque? Porque ele é mais um objeto que preciso remover do meu caminho na hora de limpar.
Já quero pendurá-lo na parede! E durante nossas trocas pelo WhatsApp comentei isso com a cliente.
Porque eu compartilhei com ela como me sinto em relação ao violão na minha casa:
Porque eu sempre digo que tudo que nós mantemos em nossa casa precisa ser administrado.
Administrar nossos pertences envolve não só o uso do espaço que eles ocupam na nossa casa.
Mas também a forma como estão armazenados, o custo de manutenção, e como eles impactam nossas atividades diárias.
Então pedi a ela que avaliasse como seria lidar no dia a dia com ambas as possibilidades:
Ter o violão no suporte no chão ou na parede.
Como isso impactaria na autonomia das crianças, no visual do ambiente, e na hora de limpar o espaço.
A consciência de que investimos tempo e energia para administrar as coisas que temos é algo transformador.
Pois ela nos ajuda a tomar decisões sobre como e onde manter cada objeto em nossa casa. E, inclusive, se vale a pena manter.
Eu não limito meu trabalho a pensar e criar soluções prontas.
Pra mim conduzir um processo de organização é me abrir para a escuta.
Acredito que a abordagem de fazer para o cliente as perguntas certas e gerar reflexão seja muito mais eficaz.
Porque assim a solução será de fato personalizada para a necessidade das pessoas que habitam aquele espaço.
E onde ficou violão da minha cliente?
Ela decidiu que o violão na casa dela ficará na parede.
É essa autonomia sobre a gestão das próprias coisas que eu busco entregar.
Não só na consultoria, mas também quando sou eu quem coloco a mão na massa para organizar o espaço para o cliente.
Porque assim a organização chega para ficar, para morar naquela casa, com aquelas pessoas.
E assim as pessoas se apropriam de seus espaços com consciência e potência.
Seu trabalho é extremamente interessante! Adoro suas ideias!
ahhh, muito obrigada pelo carinho e por acompanhar meu trabalho, Márcia! Bjs.